2006-02-27

Uma justificação

A criação deste blog, foi o acto desinteressado do amigo Ognid, em apoio à edição do meu livro de poesia. Na falta de um editor/distribuidor que não mendiguei, e, sem a benção de qualquer papa ou bonzo cultural (deveria dizer agente), de que talvez não fosse sequer merecedor, este projecto era menos que uma utopia.

Não frequento salões literários, (nem casas de putas, diria a má língua) e, por isso, o mundo dos blogues foi para mim uma descoberta fascinante de gente viva que partilha humores, sensibilidades e afectos, sobrevivendo assim ao chiqueiro sócio-cultural em que se transformou a nossa terra.

O blog "Poesia de Manuel Filipe" é contudo limitado no tempo, e, brevemente, desaparecerá.

Evidentemente que as afinidades criadas, propiciam encontros, jantares e convívios poéticos, mas a esses sou avesso, por defeito e por feitio. O acto de criação, ou o desfrute do poema, é um estado de alma profundamente solitário, em que cada um se confronta com os próprios e alheios fantasmas, numa atitude de deslumbramento, gozo ou terror, mas nunca de comemoração. O resto são patuscadas saudáveis, de amigos que se estimam.

Na minha passagem por este universo, quero deixar um obrigado pelas palavras (sempre as palavras...) que me dedicaram o infatigável Ognid, a Lmatta, a Lique, a Encandescente, o OrCa, a Wind, Adesenhar, Paperlife, Tecum, Maria Papoila e outros, tantos que não caberiam nestas curtas linhas, mas que partilham a mesma alegria inconformada.

A aventura custou-me alguns dias de trabalho e o subsídio de Natal, mas para que serve este, senão para dar prendas à Família?

Em breve a Poesia e as Artes em geral, irão florescer sob o olhar cândido do Guarda Aníbal, (não esqueci que Maria é poetisa...) e, por isso, este blog vai-se autodestruir em grande espectáculo pirotécnico, na dia da sua presidencial tomada de posse, festejando, ao contrário das previsões dos climatologistas, o advento da Nova Glaciação.

Se mais tarde, alguém me quiser encontrar, estarei provávelmente a divagar nas naves da Catedral, ou, quiçá, Em Linha Recta...

Até um dia destes

Manuel Filipe

11 Comments:

Blogger ognid said...

Quero agradecer-te as palavras que aqui deixaste. Foi com gosto que colaborei na "área técnica" do teu blog porque aprecio e admiro a tua escrita. Como tenho o teu livro e espero evidentemente continuar a par do que vais escrevendo ;) não fico preocupado com o fim do blog. Eles servem determinados objectivos dos seus autores e quando estes se essgotam não há razão para continuar. Um abraço.

11:12 da manhã  
Blogger wind said...

É com pena, mas entendo. Obrigada pela referência à minha pessoa, mas eu é que tenho de agradecer o deixar-me editar os seus poemas de que tanto gosto (pois também tenho o livro).
Felicidades e edite outro livro:)

2:22 da tarde  
Blogger palavras que escrevo said...

li cada um dos teus poemas, consegui tocar mas tuas palavras, e sentir a tua poesia, não te comentei, acho-me "muito pequena" perante tanta beleza que nos ofereces, se deixares de vir compreendo, espero continuar a ler-te por aí, embora na cidade onde vivo é um pouco dificil,

felicidade para ti

e gostava de saber quando sa+i o proximo livro

beijinhos

lena

5:08 da tarde  
Blogger Betty Branco Martins said...

Olá Manuel Filipe

Cheguei até aqui através da Lique. O que lhe agradeço imenso, pois finalmente conheço a tua Poesia.

Parabéns pela tua "grandeza" e agora vou tratar de comprar o livro.

É claro que irei passar pela "Catedral" ou pelo "Em Linha Recta"

Beijinhos

(estou no "Fragmentos)

7:50 da tarde  
Blogger paper life said...

Olá Manuel.
Já estive várias vezes para te contactar, agradecendo as palavras escritas no Livro que a Lmatta fez o favor de me trazer em mão, faço-o agora: obrigada.

Sou tímida, é o meu jeito.

Mas o gozo de te ler não acaba portanto. Devo dizer-te que foste para mim, que me alimento de poesia desde a infância, um espanto positivo.

Continua a escrever e publica antes que eu decore este livro, ok?

Bj de admiração. :)

MP

PS: Com que então tb és fã do professor Tavares? Fiquei feliz com a coincidência.

8:45 da tarde  
Blogger adesenhar said...

Vou a meio na leitura do teu livro.
Tem de ser saboreado com calma...
nas horas vagas aproveitava para ler os teus poemas aqui.
o fecho do blog pode ser temporário, talvez esperando por outro livro.
Volta sempre,
cá estarei para mais umas leituras de excelente qualidade.

abraço Manuel Filipe

10:41 da tarde  
Blogger Lyra said...

comentei-te duas ou tres vezes, não mais, mas a verdade é que não sei comentar poesia. nunca sei. sinto-a, posso achar lindo, até
ás lágrimas, mas nunca sei o que dizer. Creio que a poesia nasceu para ser sentida. por quem a escreve, por quem se revê nas palavras dos poetas. Parabéns pela tua poesia. é linda. Um abraço.

7:34 da tarde  
Blogger OrCa said...

Partilho da tua apreciação quanto ao acto de criação enquanto "estado de alma profundamente solitário". Permite-me que te diga que não tanto no que se refere ao "desfrute do poema", respeitando, embora e sempre, cada atitude.

Mas há um campo de comemoração ou, talvez melhor, de celebração que nunca enjeito, quando as palavras são os elos que nos enleiam em cadeias de afectos, porventura de outra forma ignorados.

Foi assim que me cheguei aos teus poemas, porque alguém te deu "voz" e, através desse eco, descobri afinidades que, afinal, fazem de nós animais mais sociais e, pelo menos segundo algumas abordagens, mais humanos.

O acto lúdico - que não cabe no "salão literário" - é (perdoa-me os chavões) urgente e necessário também no que à poesia respeita. Nada de serões de reposteiros, mas de palavras gritadas à vida...

Ora, mas havemos de nos encontrar para falar disso! Que cada um mantenha a sua individualidade, será esse o melhor conjunto.

Entretanto, este blog fugaz, determinado pelo teu andar, fica como pegada indelével no mundo. Se calhar, amanhã já esquecida e, ainda assim, indelével.

Gostei de vir cá.

Um abraço e até sempre.

1:21 da manhã  
Blogger Lmatta said...

Quero agradecer-te as palavras que aqui deixaste.
Um Grande Beijinho para ti

3:37 da tarde  
Blogger Orlando Duque said...

Força! Estamos do mesmo lado!

Parabéns pelos teus poemas! Muito bem estruturados, e, ao mesmo tempo, muito originais. Sai muito da tua alma, aliás, direi mesmo que é um pouco dela que nos ofereces...e muito bem.

Um abraço,

9:50 da manhã  
Blogger Joana said...

manuel, sou a joana, conhecemo-nos nos poemas de azeite. gostava de comprar os teus girassois. como o faço? Não consigo mandar-te mail. o meu é joana.serrado@fulbrightmail.org. Um abraço para ti e para a encantadora Alexandra. Beijinhos J

12:24 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home