2006-02-14

O porto do esquecimento



O porto do esquecimento,
onde se acolhem os veleiros condenados,
está sempre imerso na luz baça,
que esconde dos olhos de quem passa,
a memória dos poetas desterrados.

O porto do esquecimento,
onde o oceano conversa com as gentes,
tem fantasmas de baleeiros,
tabernas de marinheiros,
histórias de sereias e serpentes.

O porto do esquecimento,
de faróis há muito apagados, pelo vento,
tem lanternas que chiam nas correntes,
e acordeões chorando em tons dormentes,
deixam morrer no ar o seu lamento.

O porto do esquecimento,
existe entre a vida e a morte, entre a noite e o dia,
parado, sem marés nem luas.
Os sonhos andam pelas ruas,
perdidos na névoa da fantasia.

O porto do esquecimento,
fica para lá do fim do mundo e aqui ao lado.
Passada a fronteira das mágoas,
serás chamado pelas águas,
e o segredo do porto, desvendado.


Imagem: Catedral

4 Comments:

Blogger wind said...

Real e belíssimo poema.

10:51 da manhã  
Blogger R/B Estação said...

Interessa não esquecermos mesmo quem não vemos. Está tudo guardado num porto, perto ou longe do mar. Para que não hajam memórias perdidas, nem poetas desterrados.
Um abraço.

10:51 da manhã  
Blogger maresia said...

fiquei presa à fotografia

10:26 da tarde  
Blogger Jorge Santos said...

Deixei-me zarpar incógnito num coração sem timoneiro,
Incólume e fresco com aragem na face, nu como nasceu,
Sem satisfação falsa, sou filho prodígio dum feiticeiro
Banhado por um rio, da mesma cor dum qualquer ardido céu,

9:25 da tarde  

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