2006-02-16

À espera



Ainda te espero,
num dia em que a alma se vista de azul.

À esquina do tempo, procuro o teu rosto
entre milhares de outros,
definitivamente iguais.

Ainda te espero,
em jardins esquecidos, no negro paúl,
perdido num cais.

Os meus olhos febris
revolvem o livro que nunca escrevemos
e que mudo me diz que não morreremos,
pois ainda te espero.

Deliro na treva, desces no luar
que me assombra as noites
e acordo ao teu lado.

Grita-me o silêncio,
qual sino a dobrar
que o fim está para chegar
e ainda te espero.

4 Comments:

Blogger wind said...

Tão silenciosamente belo:)

11:47 da manhã  
Blogger palavras que escrevo said...

não sei se chega dizer: belo!

uma espera onde a alma se veste de azul

um dia escrevi assim:


hoje quero ver-te de azul
inteiramente azul, sem regras intenso
neste dia frio que nos morde os ossos

quero ver-te na hora incerta da tarde
no equilíbrio da densa luz marinha
onde não existe espaço na cidade

não fales, toca-me com o teu olhar
como as onda de um mar revolto
envolve-me numa ideia lacerante

hoje quero ver-te de azul
transformado em palavras de múltipla aparência
constante entre mim e o risco
sem o trono do silêncio

hoje quero prender-te a mim
de azul

l.maltez


lembrei-me por ter o azul do mar que amo

beijinhos meus

lena

12:05 da tarde  
Blogger Su said...

a espera...sempre a espera...
jocas maradas ..de mar

7:59 da tarde  
Blogger RockyBalbino said...

A Avestruz Palpitante

Encontrei uma avestruz
Mas que coisa original
Encontrei uma avestruz
Não me soube nada mal

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A Bola de Berlim Insuspeita

Enquanto o sangue jorra na artéria da frutaria
Obscureço a diametral viscência
Quase lindo
Quase ortopédico
Encontro a cada esquina as receitas do médico

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Berlindes, Humidade e Insularidade

Berlindes tiro do rabo
Perante o espanto geral
Berlindes ponho no rabo
Perante o Mota Amaral

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Espero que gostem destes meus poemas

10:49 da tarde  

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